sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CONVITE


Açailândia: terra de conflitos e esperanças







Nossa cidade mais uma vez volta a ocupar o cenário da mídia nacional. Depois da reportagem da revista Veja, nessa última semana o Fantástico descreveu Açailândia como “uma terra sem lei”.
A Paróquia São João Batista e o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, em colaboração com a Defensoria Pública e o grupo Jupaz, convidam a população de Açailândia para uma noite de partilha sobre nossa realidade: “Açailândia: terra de conflitos e esperanças”.
Quinta-feira 10 de fevereiro
18 h.: Encontro com a Defensoria Pública Estadual
Relato das atividades 2010 (em defesa dos direitos a saúde, moradia, de crianças e adolescentes, das pessoas encarceradas)
Agradecimento aos defensores que estão deixando a cidade e boas-vindas ao novo núcleo de 4 defensores para 2011 (plano de ação e perspectivas)

20 h.: Peça teatral “Que trem é esse?”
Obra do Jupaz Açailândia, com a direção de Xico Cruz. A peça retrata os conflitos sofridos pelas comunidades da região tocantina e do corredor de Carajás, no impacto com o ‘desenvolvimento’ e os grandes projetos, em especial aqueles ligados à Estrada de Ferro Carajás.

Vamos recomeçar o ano com energia e esperança, em solidariedade às comunidades, movimentos e instituições públicas que defendem os direitos humanos e a dignidade de vida para todos/as!

Local
: Salão da igreja São João Batista – bairro do Jacu
Contato para informações: tel. 3538.1787

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Siderúrgicas de Piquiá: como ser empresas socialmente irresponsáveis

Piquiá de Baixo
Parece paradoxal, mas talvez seja a única saída para as famílias de Piquiá de baixo, Açailândia, Maranhão: organizar uma coleta para arrecadar dinheiro e comprar o terreno onde construir as casas numa possível transferência de famílias afetadas pela poluição intensa produzida pelas siderúrgicas locais. É que as poderosas siderúrgicas do Estado, organizadas e associadas ao SIFEMA, - o sindicato das siderúrgicas do Maranhão cujo presidente é o atual secretário estadual de Agricultura, Claudio Donizete Azevedo, - fazem corpo mole. Não acenam até o presente momento a desembolsar R$ 220.000 – duzentos e vinte mil Reais para adquirir o terreno escolhido consensualmente pelas famílias de Piquiá de baixo. Isto seria um sinal básico, mínimo, que as empresas poderiam oferecera toda a sociedade e aos negociadores. Além de fazer parte de um acordo informal – por enquanto – entre um grupo de instituições sob a coordenação do Ministério Público Estadual para tentar solucionar de vez um problema sócio-ambiental que vem se arrastando há décadas.
Diante da crescente poluição e prejuízos à saúde pública, e ao constatar que as empresas dificilmente irão mudar do atual local, a solução proposta pelo grupo inter-setorial foi a transferência de cerca de 300 famílias de Piquiá de baixo. A sua eventual transferência que vem sendo negociada aos trancos e barrancos, com omissões e evidente falta de interesse por parte de alguns atores locais, não poderá significar ‘carta branca’ para continuar a poluir. Ao contrário. Contribuir para amenizar, de forma emergencial, um impacto que vem produzindo prejuízos de toda ordem é para as siderúrgicas uma obrigação moral e legal. E, simultaneamente, terão que adotarem mecanismos efetivos para reduzir a emissão de fuligem. Sem falar em ações de indenização que obrigatoriamente irão aparecer. As empresas apostam na frouxidão legal e fiscalizatória do Estado...
O impasse, contudo, nesse momento, é o papel exercido pelo Ministério Público de Açailândia. Vem se omitindo de forma escandalosa. Talvez pressionado por forças locais. Há fortes apelos populares para que este assuma definitivamente, com coragem, a sua responsabilidade legal em convocar, cobrar, mediar e instaurar inquéritos para apurar responsabilidades. Diante de tanta falta de irresponsabilidade social e....vergonha de empresas que só sugam ar, saúde pública e suor humano é o mínimo que o ‘defensor dos direitos coletivos’ tem que fazer

Fonte: ecooos

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Centro da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) Lança Atlas Político-Jurídico do Trabalho Escravo Contemporâneo no Maranhão

Na noite do dia 27 ás 19:00h na sede do Centro de Defesa foi lançando o Livro intitulado Atlas Político-Jurídico do Trabalho Escravo no Maranhão.


Estavam presentes, representantes do poder judiciário, membros da comissão de direitos humanos da OAB-MA, representantes da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e do Provita, e representantes do Ministério do Trabalho além de representantes de organizações da sociedade civil do Brasil e de outros países como a Agência Asturiana de Cooperação para o Desenvolvimento, Marcos Cienfuegos.

Segundo a CPT existem no Brasil hoje mais de 25 mil escravos, fruto da miséria e da ganância. São homens, mulheres e crianças aprisionados, lidando com os piores trabalhos possíveis, sobre as mais degradantes condições, sujeito às mais variadas formas de violência e que lhe são negados os direitos mais essenciais como o simples direito de ir e vir.
Neste contexto o estado do Maranhão, infelizmente, ocupa lugar de destaque no quadro dos estados onde mais se fornece mão-de-obra para o trabalho escravo

Na busca de tentar compreender melhor e descrever como funciona esse fenômeno social chamado escravidão contemporânea o CDVDH lança o Atlas Político-Jurídico do Trabalho Escravo no Maranhão.

Ponto de venda do Atlas sede do Centro de Defesa na Rua Bom Jesus, 576, centro. Mais informações no numero 99 3538 2383.


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Nota

Estou fazendo o site Prosas e Imagens. O blog prosas, imagens e brincadeiras continuará no ar, mas por enquanto estou trabalhando na construção do site.

AGUARDEM.....

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cabaré Literário

Uma noite com os professores imorais
 
Se você tem mais de 16 anos é nosso convidado para celebrar os 05 anos do Cordão com uma noite repleta de poesia, contos, crônicas, leituras dramáticas e performances. O evento cultural acontecerá sábado dia 18 de dezembro não fique de fora, fique dentro e fique fora, pois acontecerão apresentações no meio da rua e nesse entra e sai teremos a meia noite o espetáculo “O Diálogo Obscuro” com Gracinha Donato e Fredson Silva.
Vai rolar musica ao vivo com Bernardo Junior.
Carlos drummonde de Andrade, Hilda Hist, Lilia Diniz, Flor Bela Espanca, Fernando Pessoa estão entre os poetas que serão declamados na noite ou estarão expostos em nosso varal de poesia.
Nossa noite será regada a vinho, cerveja e salivas para os que necessitam de beijos.
É imperdível.
Evoé Baco.   

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Açailândia pode parar - A crise siderúrgica: fato ou boato?

Foto: Marcelo Cruz
É fato a demissão de 400 pais de família pelas siderúrgicas da Queiróz-Galvão em Açailândia. É fato o fechamento de 8 dos 15 fornos dessas e outras gusarias.
É fato o desemprego para cerca de 5.000 pessoas no ciclo de produção do carvão vegetal na região tocantina.
A deputada Helena Heluy, em audiência pública dia 23 de novembro na Assembléia Legislativa do Maranhão, disse que essa é uma questão de direitos humanos, trabalhistas e ambientais.

Com a presença de cinqüenta delegados de Açailândia, reuniram-se em debate autoridades políticas, sindicatos dos trabalhadores e patronais, entidades e movimentos de base.
Apareceram, assim, também os boatos: mais do que falência das empresas, trata-se de uma suspensão das operações devido a pouca margem de lucro. No momento em que não convém mais produzir, é fácil para a maior parte das gusarias demitir ou reduzir a jornada de trabalho, diminuindo contemporaneamente o número de pessoas para cada turno: confirma-se a política de ‘sugar’ os trabalhadores até que sirvam, para abandoná-los quando for mais conveniente.

A Vale, grande responsável dos impactos do ciclo de mineração e siderurgia também pelo que se refere aos conflitos trabalhistas, nem apareceu à audiência pública, confirmando seu costume de se dizer aberta ao diálogo com as comunidades, mas se ausentar nas horas mais importantes. “Audiências como essa deveriam ter um mandato obrigatório de comparecimento”, desabafou o presidente do sindicato dos metalúrgicos de Açailândia.

Outro grande ausente, fortemente criticado ao longo da audiência toda, foi o prefeito de Açailândia. O sindicato dos metalúrgicos da cidade conseguiu ao longo dos últimos meses conversar com o Presidente do Senado, a Governadora do Estado, membros da Assembléia Legislativa do Maranhão e Secretários de Governo, mas nunca (apesar de quatro ofícios enviados) com o prefeito de seu próprio Município!

Para enfrentar a política econômica das empresas e corrigi-la conforme o direito à vida do povo, é essencial o papel da política de governo federal, estadual e municipal. Preocupou-nos, nesse sentido, o vazio dos discursos dos secretários de Estado durante a sessão, bem como a ausência do deputado federal açailandense recém eleito.
A audiência reconheceu que Açailândia é símbolo do que está acontecendo no Maranhão todo: ao longo de trinta anos de investimentos em grandes projetos, favoreceu-se a concentração de renda, aumentou o PIB per capita, mas a distribuição de renda foi péssima e não garantiu a dignidade do povo maranhense.
“O grande desafio não é amenizar mais uma crise, aguardando a próxima: temos nas mãos a possibilidade de reinventar o modelo de vida e sustentação do Maranhão”, comentou o advogado Guilherme Zagallo.

Há sem dúvidas alguns avanços, como o esforço de verticalização da produção, do ferro até o aço, pela siderúrgica Gusa Nordeste. O presidente do sindicato patronal apontou a essa aciaria e ao comércio de gusa com a China como solução para todos os problemas do desemprego local, garantindo que daqui em diante não haverá mais nenhuma pessoa despedida.
Mas esses avanços e garantias (mesmo assim duvidosas, ao dizer do sindicato dos metalúrgicos) não apagam o passivo sócio-ambiental da Vale e das siderúrgicas na região: os movimentos sociais apontaram mais uma vez às responsabilidades por desmatamento e poluição.
O caso de Piquiá de Baixo, bairro pré-existente às gusarias e agora cercado pelos empreendimentos altamente poluentes, foi também destaque da audiência pública. Repetidas vezes foi reconhecido que é uma vergonha deixar ainda 350 famílias nessas condições de precariedade. Urge o reassentamento de Piquiá de Baixo, área de sacrifício do povo no altar do desenvolvimento sem controle.

Como justificar, de um lado, subsídios de dinheiro público tão pesados na construção da aciaria e, do outro lado, a lentidão do poder executivo e das empresas em garantir o direito à vida da comunidade de Piquiá de Baixo?

A audiência pública levantou perguntas e discussões ao longo de cinco intensas horas de debate.
Entre os muitos encaminhamentos, destacamos a urgência de soluções de curto prazo através de uma pactuação convocada pelo sindicato dos metalúrgicos com todas as partes envolvidas.

Em longo prazo, torna-se necessária a reflexão e articulação política a respeito de um Fundo de Desenvolvimento e Amparo aos Trabalhadores. Constituído por contribuições obrigatórias, proporcionais aos lucros da Vale e das siderúrgicas, relançaria novos investimentos que garantam a pluralidade das vocações produtivas de Açailândia e do Maranhão (pequena empresa, agricultura familiar, incentivos ao reflorestamento, capacitação profissional, etc.)